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Cães voluntários ajudam na recuperação de crianças doentes e deficientes

 
 
 
 Cães voluntários ajudam na recuperação de crianças doentes e deficientes

RAFAEL BALSEMÃO
da Revista da Folha

Um pouco antes das 14h de toda quinta-feira, a gerente de enfermagem Carla Dias, 47, já se prepara para enfrentar uma maratona de perguntas: "Tia, cadê o Joe?" Como todo paulistano que enfrenta diariamente o trânsito pesado da cidade, ele raramente consegue ser pontual. "Está chegando", despista ela.

Maria do Carmo/Folha Imagem
Patrícia tem leucemia e está no GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), onde Joe faz a festa

Carla só relaxa após 40 minutos, quando Joe Spencer Wood Gold entra no hospital do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), na Vila Clementino, com o crachá no pescoço. Golden retriever de quatro anos, Joe é voluntário. Sua missão é arrancar sorrisos de quem está na sala de quimioterapia, etapa sofrida do tratamento contra o câncer. "Ele é limpinho, a gente pode passar a mão", se diverte Rafael Basílio, 12, que tem um tumor ósseo.

A presença de animais é comum em hospitais dos Estados Unidos há décadas. No Brasil, o método ganhou popularidade no final dos anos 1990 e, a cada ano, ganha novos adeptos. É chamado de zooterapia ou terapia assistida por animais, usada em crianças, idosos e pessoas com deficiência.

Milagre dos animais

A presença de Joe no hospital é uma forma de "olhar para as crianças como elas são, sem o foco na falta de cabelo", nas palavras de Carla. Servicinho moleza para um cão tranqüilo e de pêlo impecável.

Maria do Carmo/Folha Imagem
Fernanda Fernandes, 18, com o cão Mike, 7, durante uma visita à escola Nova Meta

Quem leva Joe ao GRAACC é a funcionária pública Luci Lafusa, 53. O golden deu seu primeiro passo para o voluntariado aos seis meses, em 2004. Suas donas assistiam a um documentário da Animal Planet sobre o milagre dos animais. Luci e a irmã, Ângela Borges, tiveram a certeza de que Joe poderia fazer o mesmo.

Elas não se enganaram. O animal foi levado para uma escola de adestramento, onde ficou um ano, até estar pronto para ser um verdadeiro voluntário. Os primeiros agraciados com a doçura do cão foram os moradores de um asilo. Combinação perfeita. "Os velhinhos gostam muito de atenção, e o Joe adora carinho", conta Luci.

Deu tão certo que a procura pelos serviços do golden só cresceu. Hoje, a agenda dele está lotada. Tem compromissos todos os dias da semana. Para freqüentar o hospital do GRAACC, por exemplo, Joe cumpre uma série de requisitos. Vacinação em dia, claro, é obrigatória. Toma banho toda quinta. Vai ao veterinário uma vez por mês, no mínimo. O pêlo é escovado, religiosamente, a cada manhã com uma solução feita à base de álcool e cravo-da-índia. Os dentes são escovados três vezes por semana. Ainda recebe doses de vitamina. Tudo para ser aprovado pela comissão de controle de infecção hospitalar e não surgir nenhuma suspeita de que o bicho possa levar alguma doença para lá.

Nem sempre foi assim. "Há dez anos, as pessoas tinham muito medo de que o cachorro transmitisse doenças, e havia uma dificuldade em acreditar que o tratamento com os animais pudesse trazer algum benefício", diz o zootecnista Alexandre Rossi, coordenador da organização Cão Cidadão (www.caocidadao.com.br).

Terapia canina

Sexta-feira é o dia de Joe visitar a casa de apoio do GRAACC, onde se hospedam as crianças de fora da capital em tratamento. Após uma semana de muito trabalho, o cão não consegue esconder a estafa. "Ele chega bem cansado. Até cochila", conta Patrícia dos Santos, 14, que tem leucemia e deixou sua casa, em Cubatão (56 km de SP), em outubro do ano passado. "Mas ele acorda rapidinho", emenda ela. Desperto, Joe é só animação. "Todo mundo tira foto com ele. Eu tenho muitas", gaba-se Patrícia.

Joe acorda por volta das 5h. Toma seu café da manhã ao lado das donas. Elas saem para trabalhar e deixam o cão com a beagle Samy e a belga Dara, que, segundo as donas, não têm nenhuma vocação para o voluntariado. "Elas são meio problemáticas. Acho que precisam de terapia", diverte-se Luci.

Maria do Carmo/Folha Imagem
Júlia Reis, 5, que tem síndrome de Down, brinca com Golda; segundo educadores, cães contribuem para que ela melhore a fala

Sem poder contar com a ajuda das "meninas" e diante do aumento da procura por Joe, Luci e Ângela foram atrás de outros ajudantes. Daí, montaram o projeto "Joe, o Amicão, e os Cãopanheiros". A idéia é incentivar outros paulistanos a transformarem seus pets em "terapeutas" (informações pelos tels. 0/xx/11 9517-6159 e 9674-0429). O projeto deu certo. Joe ganhou sete "cãopanheiros".

Em São Paulo, há filas de espera por um cão voluntário. A escola Nova Meta, na Pompéia, onde estudam 30 crianças com deficiência, acaba de receber a ajuda de Golda, 2, e Mike, 7, dois golden retriever. A dupla faz parte do projeto "Cão Terapeuta", da Cão Cidadão, e visita a instituição a cada 15 dias.

Os bichos aguardam a ação das crianças para interagir. "E elas se sentem mais seguras para brincar", conta Márcia Fleury, 43, diretora da escola e neuropsicóloga.

Eles foram treinados para não reagir com agressividade às brincadeiras. Pegue como exemplo o caso de Júlia Carneiro, 12. Ela tem autismo, não fala e interage com o mundo a partir de tapinhas. "A doçura dos cães faz com que ela contenha a força durante os movimentos", explica Márcia.

Júlia Reis, 5, tem síndrome de Down. Segundo os educadores, a presença dos cães contribui para que ela melhore a fala. No começo, a menina nem almoçava. "Só queria comentar em casa que tinha dado comida para o cachorro", empolga-se a pedagoga Selma Roos Reis, 39, mãe de Júlia.

Não pense que os bichinhos fazem só a cabeça da criançada. A Organização Brasileira de Interação Homem-Animal Cão Coração (www.projetocao.org.br) atende a 300 idosos em quatro asilos paulistanos no projeto "Cão do Idoso". O trabalho é feito por 60 cachorros. O sucesso da iniciativa é tamanho que os visitados até capricham no visual quando sabem que terão a companhia dos bichinhos.

Afinal, não é todo dia que a gente recebe um "amigão".

É bacana ter eles por perto

- Aumenta a sociabilidade e o sentimento de auto-estima

- Desenvolve ação calmante e antidepressiva e, por tabela, pode reduzir medicamentos

- Diminui a ansiedade, a pressão sangüínea e cardíaca e o estresse

- Melhora a capacidade motora e o sistema imunológico

Fontes: Carla Dias (GRAACC), Flávia Lopes (Cão Cidadão) e Silvana Prado (Organização Brasileira de Interação Homem-Animal Cão Coração)


 
 

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