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No País dos Alienados


Autor: Jorge Linhaça
Se você é daqueles leitores que não gostam ce ler coisas que incomodam ou levam a uma reflexão menos superficial sobre as coisas, ESTE TEXTO NÃO É INDICADO PARA VOCÊ. Sinta-se pois à vontade de encerrar aqui a sua leitura.
Se você, por outro lado é uma pessoa preocupada em compreender pontos de vista sobre a realidade de nossa sociedade, creio que irá encontrar algo de útil nestes meus rabiscos.
Desde já quero esclarecer que não se trata de um texto político-partidário mas de uma visão da sociedade atual, obviamente segundo a minha ótica e creio que a de algumas outras pessoas.
Vivemos em um país onde a alienação é, ainda hoje, um fator determinante para os comportamentos mais diversos e intempestivos que acabamos por presenciar no dia a dia.
Alienação significa permanecer à margem dos acontecimentos ou das questões sociais, comportando-nos como meros espectadores diante de uma tela de cinema, como se aquilo que ocorre à nossa volta não passasse de um trabalho de ficção.
Alienação significa não entender patavinas de um determinado processo, seja ele social, político, cultural , midiático, etc e ainda assim emitir opiniões baseadas em alguma paixão interior sem sequer se dar ao trabalho de avaliar fatos ou buscar algum conhecimento.
Mas não se desesperem, todos nós, inclusive este autor, sofrem  de algum grau de alienação em relação a alguma coisa. Infelizmente alguns fazem questão de serem eternos alienados sobre quase tudo.
Hoje, específicamente, mas não excludentemente, dois e-mails me despertaram a atenção para esse fato. Dois casos diversos, no entanto causados pelo mesmo processo alienatório em que a sociedade ( ou boa parte dela) vive imersa.
O primeiro deu conta que o cantor Seu Jorge foi solenemente vaiado em um show no Rio de Janeiro , por uma platéia que se indignou por ele "roubar o seu tempo precioso de diversão" declamando "Negro Drama". Os uivantes alienados da platéia não queriam perder seus preciosos minutos de dança ouvindo um texto que lhes remetesse a uma realidade "incomodativa" e da qual preferem manter distância.
Tudo bem que parte dos espectadores prefiram "burguesinha" ou "amiga da minha mulher" gosto é como nariz, cada um tem o seu...mas é aí que se dividem os modistas dos admiradores de uma trajetória artística.
Seu Jorge morou nas ruas, é negro, sabe-se lá o tipo de preconceito, discriminação e sofrimentos passou. Não é porque as gravadoras exigem algumas músicas mais comerciais para alavancar o nome de um artista que ele tem que abrir mão de seus pensamentos e de sua bandeira.
Músicas lixo, de letras idiotas e apelativas, pegam bem mais nos ouvidos nos alienados do que uma letra inteligente...é só ver os hits instantâneos e efêmeros com mensagens subliminares que levam à alienação e sedimentação cada vez maior de preconceitos ou atitudes apáticas e simplistas.
"Tô nem aí"... "ai se eu te pego"..." assim você mata o papai" e outro sem número que nem me lembro pois não perco meu tempo em ouvir mais do que uma vez ou duas tentando achar algo que se salve nas letras minúsculas...
Fingir que os problemas não existem enquanto não batem à sua porta, é tipico de uma mentalidade adolesclente voltada apenas para o próprio umbigo ou, no máximo, os umbigos de sua "tribo".
Infelizmente esse tipo de atitude não se limita à adolescência, acompanha muitos indivíduos ou grupos durante toda a sua vida.
Coisas do tipo "pobre é pobre porque quer, porque é vagabundo..." permanecem impregnadas na mente a na alma de muitos, inclusive de ex-pobres que se acham excessões e acabam perdidos entre dois mundos por renegarem suas raízes.
O tipo de música que "se vende" não ajuda em nada...e quando aparece uma letra ou texto mais "politizado" no sentido não partidário, mas de percepção da realidade, que nos esfregue na cara um pouco do outro mundo que fingimos não ver, a reação das vaias é até suave se comparada à ferocidade sem argumentos de algum contraponto. 
Noutro e-mail, este referindo-se a um determinado prefeito eleito, o título jocosamente alienado foi "começou"...dando conta que o dito prefeito eleito previa que algumas de suas promessas de campanha deveriam levar um ano inteiro a serem implantadas e outras até mais.
Aqui a alienação ocorre, mesmo que o texto explique que um processo de mudanças em qualquer município depende do envio das propostas do executivo à câmara dos vereadores e sua aprovação, antes que possa ser efetivamente implantado.
Para algumas pessoas, quando algum candidato é eleito, seja ele de que partido for,ele recebe automaticamente uma varinha de condão ou poderes de ditador para implantar seus projetos logo nos primeiros dias de mandato sem ter que se reportar a ninguém.
O desconhecimento do processo político, aliado à falsa impressão imposta pela mídia e pelos próprios candidatos no horário eleitoral, que passam a impressão de onipotentes, leva a essa distorção da visão da população.
Somos uma democracia e, gostando ou não, temos de entender que sempre haverá uma queda de braço entre o executivo e o legislativo, a menos que o partido do executivo tenha ampla maioria na câmara.
É esse mesmo fator que implica em alianças e trocas de favores entre as legendas...aprovo teu projeto se voce aprovar o meu ou se modificar este ou aquele artigo...
Compreender como funciona o processo político ao menos de uma maneira simplificada, evitaria muitas manifestações equivocadas e apaixonadas que acabam se somando a outras de pura má fé que vemos pipocar por todo lado.
Mas o povo esta sempre por demais ocupado com as tramas das novelas, com as músicas da moda, com os campeonatos de futebol ,etc para dedicar alguns minutos de seu precioso tempo para coisas menos importantes para sua vida, como por exemplo:
Exigir dos candidatos eleitos, independente de filiações partidárias, que aprovem as leis e projetos de interesse público apresentadas pelo executivo e vice-versa.
É por isso que se paga tanto mico, eleição após eleição....por pura alienação.Pelo se achar que a obrigação de votar encerra nosso papel no processo político de nossa sociedade, quando na verdade é apenas o início de nossa participação.
Não importa em quem você votou, se ele foi eleito ou não, o que importa é que aqueles que foram eleitos não são nossos patrões...são nossos empregados...nós não devemos nada a eles...são eles que devem a nós...e temos todo direito de cobrá-los e o dever de fazê-lo.
A paixão partidária , de nossa parte enquanto membros da sociedade, deve ser enterrada junto com os panfletos, bandeiras, adesivos...tão logo o resultado final do pleito seja promulgado.
Aí é a hora de sermos todos, não uma massa de manobra, não um joguete político, mas indivíduos conscientes de seus direitos e deveres para com a sociedade da qual participamos. Cobrando sim todas as promessas de campanha e acompanhando os bastidores para ver quem impede que os avanços sejam feitos...
Infelizmente, ainda nos encontramos no estágio de desejar que quanto pior melhor, quando se trata de administrações de partidos contrários à nossa ideologia ou, na maioria dos casos, apenas torcida, já que ideologia é o mínimo que se consegue perceber nos partidos.
Esquecemos que...quanto pior ficar, pior ficará para todos nós...ou ao menos para a maioria...e aí voltamos ao "Negro Drama" de Seu Jorge..."que se dane, não sou negro nem pobre...que se exploda o mundo...o meu tá garantido".
E alguns ainda se indomodam quando são chamados de alienados.
Pior, há os que não são alienados mas se calam  para não causar desconforto em seus meios.
Uma novidade...desconforto é bom...faz buscar uma posição melhor...faz rever as condições de vida, faz abrir os olhos...ou fechar de vez...
A zona de conforto só traz estagnação e imobilismo. Sinônimos de alienação...ao menos neste contexto!
Salvador, 30 de outubro de 2012.

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